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Crise em Boane: Distrito isolado e mais de mil deslocados em condições precárias

PROVÍNCIA DE MAPUTO – O distrito de Boane encontra-se novamente isolado do resto da província após o transbordo do rio Umbeluzi, ocorrido na manhã deste sábado. O agravamento das inundações provocou o corte total da Estrada Nacional nº 2 (N2), no troço que liga a Matola à vila de Boane, revivendo o cenário dramático de 2023.

Até ao momento, mais de mil pessoas foram evacuadas de urgência dos bairros 2, 4, 5, 25 de Setembro e Tedeko. Com cerca de 1.400 casas submersas, as famílias procuram refúgio em centros de acomodação transitórios, onde a situação humanitária é considerada crítica.

Corte na N2 e Alternativas de Risco

A interrupção na N2 forçou os automobilistas a recorrerem a vias secundárias de terra batida, que apresentam elevados riscos, especialmente para viaturas de baixa suspensão. Para muitos, a única alternativa para transitar entre Boane e Matola tem sido o desafio direto às águas, uma prática desaconselhada pelas autoridades de proteção civil.

Dramatismo nos Centros de Acolhimento

A resposta logística nos centros de acomodação não tem acompanhado o fluxo de deslocados. No centro 19 de Outubro, no bairro Filipe Samuel Magaia, cerca de 900 pessoas dividem 11 salas de aula em condições de extrema precariedade.

  • Falta de Bens Básicos: Relatos indicam a ausência de esteiras, cobertores e iluminação nas salas.
  • Insegurança Alimentar: Famílias denunciam que a ajuda alimentar é insuficiente, chegando “a conta-gotas”.
  • Grupos Vulneráveis: Crianças e pessoas com deficiência enfrentam dificuldades acrescidas, dormindo no chão frio e sem acesso a vestuário seco.

Impacto na Cidade de Maputo

O drama estende-se à capital do país. Na Escola Primária Unidade 6, no bairro Luís Cabral, cerca de 400 pessoas aguardam por assistência. As vítimas relatam que ainda não receberam apoio formal do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), sobrevivendo graças a recursos próprios limitados.

“Comemos o que aparecer. Quem tem alguma coisa no bolso, é só comprar. Ainda não tivemos ajuda do Governo”, desabafou um dos residentes no centro de acolhimento em Maputo.

Perspetivas

A prioridade atual das autoridades locais é a gestão das listas de acolhimento e a tentativa de canalizar víveres para os pontos mais críticos. Contudo, a falta de condições condignas nos centros transitórios levanta preocupações sobre a saúde pública e a segurança das populações afetadas, enquanto estas aguardam pelo escoamento das águas ou por planos de reassentamento definitivo.

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