MAPUTO – A crise de mobilidade em Moçambique atingiu um ponto crítico com a paralisação da Estrada Nacional Número 1 (EN1). O transbordo do rio Incomáti provocou cortes severos entre as localidades de 3 de Fevereiro (Maputo) e Incoluane/Chicumbane (Gaza), deixando a principal artéria do país sem previsão de reabertura imediata.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, informou que a reposição da via poderá demorar, no mínimo, 15 dias. Este prazo depende exclusivamente da descida do nível das águas, condição essencial para que as equipas técnicas iniciem a avaliação de danos e as reparações necessárias.
Gaza: O Epicentro da Crise
A província de Gaza é atualmente a mais fustigada pelas cheias, apresentando cerca de 40% do seu território submerso. Esta situação resultou no isolamento de vários distritos:
- Vias Intransitáveis: As ligações regionais entre Chókwè, Chibuto, Guijá e Mapai encontram-se totalmente cortadas.
- Maputo e Sul: A N2 em Boane regista cortes, enquanto o acesso a Magude e Macaneta (Marracuene) permanece interrompido ou fortemente condicionado.
- Centro e Inhambane: O isolamento estende-se a troços como Guara-Guara–Vila do Búzi (Sofala) e vias no interior de Inhambane, como Mabote e Zinave.
Alternativas e Medidas de Emergência
Face ao bloqueio terrestre, o Governo e as autoridades rodoviárias estão a implementar soluções de contingência para garantir o fluxo de bens essenciais:
- Cabotagem Marítima: Foi ativado o transporte marítimo entre o Porto de Maputo e Gaza para contornar a interrupção da EN1.
- Via Moamba: Estuda-se uma rota alternativa ligando pela N4 via Moamba, embora as condições atuais de lama e solo saturado sejam consideradas precárias para viaturas pesadas.
- Restrições ANE: A Administração Nacional de Estradas desaconselha a circulação de veículos com mais de 10 toneladas em estradas terraplanadas para evitar a destruição total das mesmas.
Alerta aos Viajantes
O cenário atual é de “Alerta Vermelho”. As autoridades reforçam que, no momento, não é possível realizar deslocações seguras por terra entre Maputo e o resto do país. Recomenda-se a suspensão de viagens não essenciais e a consulta permanente de atualizações oficiais.


