Um assalto violento seguido de rapto, registado ao início da noite de quarta-feira, 1 de janeiro de 2026, mergulhou a vila sede do distrito de Muecate, na província de Nampula, num clima de comoção e insegurança.
De acordo com informações recolhidas no local, por volta das 18 horas, um grupo de indivíduos ainda não quantificado invadiu um estabelecimento comercial pertencente a um cidadão estrangeiro. Durante a ação, os assaltantes raptaram o proprietário do estabelecimento e um dos seus trabalhadores.
No mesmo episódio, outros dois funcionários sofreram ferimentos, cuja gravidade ainda não foi oficialmente esclarecida. Os suspeitos faziam-se transportar numa viatura do tipo minibus, da marca Toyota, modelo Quantum, sem que fosse possível identificar a matrícula. Testemunhas indicam que os indivíduos estavam encapuzados e fortemente armados.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) foi acionada, mas terá chegado ao local após a consumação do crime. Até ao momento, não há informações oficiais sobre o paradeiro das vítimas raptadas, nem sobre detenções relacionadas com o caso.
Horas mais tarde, por volta das 21 horas, a situação agravou-se quando populares intercetaram um indivíduo alegadamente envolvido no assalto e rapto. O homem foi agredido, linchado e posteriormente queimado vivo, num ato de justiça pelas próprias mãos.
Segundo relatos da população, durante as agressões o suspeito terá confessado o seu envolvimento no crime. Ainda assim, alguns cidadãos recusam-se a prestar declarações às autoridades, alegando desconfiança e suspeitas de eventual envolvimento de agentes da PRM no caso, acusações que não foram confirmadas oficialmente.
Na madrugada de quinta-feira, 2 de janeiro, as autoridades deslocaram-se ao local para proceder à remoção do corpo do indivíduo linchado. Informações indicam que as autoridades provinciais acompanham o caso e que decorrem diligências para localizar os restantes suspeitos.
O episódio reacende o debate sobre a insegurança no distrito de Muecate, a atuação das autoridades e o respeito pelos direitos humanos, numa ocorrência que abalou profundamente a população local.


